Na Guiné-Bissau, assistimos a um fenómeno profundamente preocupante: a elite política acabou por aniquilar as restantes elites do país.
O resultado foi um verdadeiro esvaziamento das forças sociais e intelectuais que sustentam qualquer nação moderna.
A Guiné praticamente ficou sem a sua elite médica — hoje, há mais médicos guineenses a exercer em Portugal do que no seu próprio país.
A burguesia local praticamente desapareceu!
O setor empresarial, em vez de ser motor de inovação e desenvolvimento, é dominado por comerciantes (nacionais e estrangeiros) de perfil pouco sofisticado, sem grande visão estratégica e obviamente sem capacidade de promover transformação económica que a Guiné necessita.
Em termos concretos, a Guiné perdeu a sua elite: deixou de ter entre os seus cidadãos pessoas altamente educadas, sofisticadas, cosmopolitas, com formação nas melhores universidades, domínio de línguas estrangeiras, particularmente o inglês, e um sentido de cidadania moderno.
O que se observa é um claro retrocesso civilizacional. Um país que, em vez de avançar, parece regredir nos “fundamentais” do seu tecido social e intelectual.
Em Angola, este exemplo deve servir como um alerta. Precisamos de estar atentos e vigilantes, para que não se repita entre nós um processo semelhante de degradação da elite nacional. Sem uma elite plural, instruída, dinâmica e comprometida com o bem comum, não há desenvolvimento sustentável nem verdadeira soberania.
Temo que a elite política angolana também elimine as outras elites e, o nosso país mergulhe na “Guineificação”.
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